Cuidado com o estresse, o excesso pode levar a doenças graves

O estresse ainda não é oficialmente considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas, em função de cerca de 90% da população do planeta sofrer do mal, a entidade já alertou para uma epidemia global. Hoje em dia, o estresse é visto, pela maior parte da comunidade médica tradicional, como um conjunto de sintomas físicos e emocionais que pode levar a outras patologias.

A lista de problemas de saúde que podem surgir em função do estresse é imensa. Alguns deles são alergias, transtorno de pânico, infecções causadas por baixa imunidade, depressão, asma, bronquite, contração muscular crônica, enxaqueca, gastrite, obesidade e alguns tipos de câncer.

Mas o estresse só traz essas complicações quando é excessivo. O médico e acupunturista Ruy Tanigawa explica que um pouco de estresse sempre fez parte da vida dos seres humanos. Para o homem das cavernas, ajudava na defesa. Diante de uma situação de perigo, o estresse estimulava o organismo a produzir certas substâncias, como a adrenalina e o cortisol, capazes de fazer os músculos se fortalecerem, o que permitia que o indivíduo lutasse ou fugisse.

O problema é que, atualmente, as situações de estresse são mais constantes e os processos fisiológicos do organismo humano ainda funcionam de forma bastante semelhante aos de nossos antepassados. Por isso, a produção de cortisol acaba sendo muito maior que a necessária, o que causa distúrbios. A psicóloga Fátima Bitencourt diz que para ser saudável, uma pessoa precisa ter uma situação de estresse seguida por uma de relaxamento, mas, “no mundo em que vivemos , relaxamos cada vez menos e nos estressamos cada vez mais”, diz.

Na área da saúde, o termo estresse foi utilizado pioneiramente pelo médico endocrinologista canadense Hans Selye em 1936, na revista Nature. Ele aplicou a palavra para definir um conjunto de sintomas, como pressão alta, fadiga, desânimo e falta de apetite, que havia observado em diversos pacientes. Em 1950, Selye foi reconhecido como “o pai do estresse”.

Hoje, no Brasil, uma das grandes referências em estresse é a psicóloga Marilda Lipp, fundadora do Centro Psicológico de Controle do Stress e professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Segundo sua definição, o estresse é “um estado de tensão mental e física que produz um desequilíbrio no funcionamento global do ser humano e enfraquece seu sistema imunológico, deixando-o sujeito a infecções e doenças”.

De acordo com a International Stress Management Association, o estresse positivo, chamado de eustresse, e o negativo, denominado distresse, causam reações fisiológicas similares: as mãos e os pés tendem a ficar suados e frios, o coração acelera e a pressão arterial aumenta. Mas, no nível emocional, os sinais são bastante diferentes. O estresse motiva e estimula a pessoa a lidar com situações de conflito. Ao contrário, o distresse acovarda o indivíduo, fazendo com que se intimide e fuja da situação.

A psicóloga Marília Dória ressalta que não é possível – nem desejável – evitar o estresse completamente. “Ele é um mecanismo de defesa muito útil para qualquer organismo. O ser humano necessita da adrenalina e das reações geradas pelo estresse para se manter revigorado, motivado e competente”. A especialista diz que, para alcançar um equilíbrio entre o eustresse e o distresse, é preciso mudar a forma como se vê os acontecimentos e adquirir hábitos de vida saudáveis. Essa combinação é, aliás, a recomendação da maioria dos profissionais que tratam pacientes com sintomas de estresse.

Original de msn.minhavida.com.br

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