De bem com o dinheiro… Como multiplicar seus ganhos
4 março, 2009 por
Anita Mulher
A importância do dinheiro vai muito além do que ele pode comprar. Ele está presente em todos os momentos de nossa vida e envolve educação, religião, saúde, governo, trabalho e ainda influi fortemente em nossas relações. Quem nunca ouviu falar de casamentos e amizades abalados por crises financeiras? “Para qualquer pessoa que deseja entender o significado de sua própria vida, é imperativo compreender o dinheiro como uma energia. Ele é um espelho que reflete a nós mesmos. Em outras épocas, nem todo mundo desejava dinheiro acima de qualquer coisa. As pessoas ansiavam por salvação, beleza, poder, força, prazer, propriedade, comida, aventura, conquista, conforto. Mas, nesse exato momento no tempo e no espaço, o dinheiro (…) é o que todo mundo deseja”, afirma Jacob Needleman, professor de filosofia e religião da Universidade Estadual de San Francisco, Califórnia, autor do livro O Dinheiro e o Significado da Vida (ed. Best Seller). Independentemente de ter ou não uma conta bancária bem recheada, a forma de lidar com o dinheiro pode dizer muito sobre seu jeito de ser e os valores que norteiam sua vida. E, por incrível que pareça, aí se refletem suas emoções: “Dinheiro e afeto estão intimamente ligados, pois a primeira coisa para se dar bem com o dinheiro é perceber que ele é uma energia de troca. Assim como as relações afetivas, exige equilíbrio no fluxo de dar e receber. Quem tem problemas financeiros certamente tem dificuldades afetivas, pois isso demonstra que as trocas estão descompensadas”, diz a paulista Glória Maria Garcia Pereira, socióloga e consultora de empresas, autora do livro A Energia do Dinheiro (ed. Gente). Segundo ela, não é o trabalho ou a herança que geram riqueza e sim os pensamentos que temos a respeito do dinheiro. Por exemplo, se estamos fixados na idéia de que o dinheiro é muito difícil de ganhar e só vem como resultado de muito esforço e sofrimento, assim será.
Uma mudança nesse padrão de pensamento é fundamental para entrar no fluxo da abundância e ter mais prazer com o que se ganha e com o que se gasta. Isso aconteceu com a bancária aposentada Keiko Tanaka, 50 anos, de São Paulo: “Costumava pensar na prestação da casa própria como uma dívida pesada e não como um investimento no meu bem-estar. Com essa inversão de pensamento, passei a curtir mais a casa e não deixei que essa preocupação cortasse meu prazer de estar ali”. Gastos, contas no final do mês, incerteza sobre o futuro são preocupações permanentes da maioria dos adultos e escondem questões muito mais profundas. “Elas nada mais são do que o reflexo da angústia que sentimos em relação a nós mesmos: quem somos? O que somos? O que realmente faz sentido em nossas vidas? (…) Para responder a isso, temos de cultivar os valores do contato humano, a fonte maior da nossa felicidade, muito superior às posses materiais”, diz o filósofo Needleman em entrevista à revista Meu Dinheiro (ed. Abril). Esse questionamento é tão íntimo quanto os dados a respeito do saldo bancário ou o valor da renda mensal, que geralmente mantemos em sigilo. E aí está mais um fator que aproxima o dinheiro do processo de autoconhecimento. Só você pode decidir sobre esses campos fundamentais da vida. Ou seja, tanto quanto os sentimentos, o dinheiro nos remete a nós mesmos e a nossa ação no mundo.
Sábias leis
O sucesso financeiro, segundo Glória, obedece a cinco leis, ações, fundamentais:
- 1. Ganhar;
- 2. Gastar ou negociar;
- 3. Fazer circular ou multiplicar;
- 4. Poupar para realizar sonhos;
- 5. Investir, isto é, arriscar um pouquinho de cada ganho (nunca tudo) em novos investimentos, mesmo que haja algum risco de perder. Mas, se é tão simples assim, por que tanta gente tem dificuldade em lidar com o dinheiro? “Nossa cultura nos incutiu a crença de que o dinheiro é sujo, que contém impurezas. Pois, se um é rico, isso significa que existem milhares de pobres. Então, se eu tenho e o outro não, há algo de errado nisso. Por isso, doar e contribuir com bens coletivos – como a conservação de uma praça, uma creche, uma escola – é tão importante para manter o bom fluxo do dinheiro. Dessa forma, estamos reconhecendo que ele não gera apenas bens individuais, mas coletivos, e pode servir a todos”, ensina o rabino carioca Nilton Bonder, autor do livro a Cabala do Dinheiro (ed. Imago). Nessa obra, ele reúne várias pequenas histórias que ensinam a não cair em armadilhas empobrecedoras. A professora de línguas Lilian Prist, 54 anos, paulista, foi vítima de uma delas. Recebeu uma quantia em dinheiro, achou que não saberia administrar bem, colocou tudo num fundo de renda fixa: “Era bom ter essa segurança, mas queria esquecer que o dinheiro existia. Isso me parecia materialista e não combinava com minha vida, voltada para a espiritualidade, a ioga e a meditação. Além disso, aprendi na infância que dinheiro é para poucos”, conta ela. Realmente aquela quantia ficou no esquecimento, não se multiplicou, foi roída pela inflação e, parte dela, perdida. Anos mais tarde, ela escreveu um livro que rapidamente chegou à sétima edição: “Estava de novo ganhando dinheiro, não sabia o que fazer com isso, mas não estava disposta a perder. Comecei a me informar sobre investimentos, ler jornais de economia e ser realmente dona daquilo de bom que que produzo. Isso mudou minha vida. Multipliquei meus ganhos e nem por isso me tornei materialista. Ao contrário, isso me deu mais força para fazer trabalhos voluntários”, conclui Lilian, enquanto assiste a uma palestra sobre investimentos pela internet.
O milagre de todo dia
Ganhar na loteria, receber uma herança, é outra fantasia que povoa corações e mentes. Porém o rabino nos lembra que o verdadeiro milagre está justamente em prover o próprio sustento, dia após dia. Isso quer dizer que temos saúde, que somos abençoados por poder trabalhar. Parece pouco. Então responda: o que é pouco? O que significa ser rico? “Se você recebe com alegria, nada será pouco. Porém o muito para quem está de mal com a vida significa pouco”, diz Glória, baseada em sua experiência como orientadora de herdeiros e empresários. “Querer menos coisas e viver de maneira mais simples são atitudes saudáveis. Pois nunca houve uma época em que se consumiu tanto e, ao mesmo tempo, tantas pessoas se sentem insatisfeitas. Sair desse círculo vicioso é um jeito de gerar bem-estar para si mesmo e para todos os que estão a sua volta. Quem faz isso é realmente rico”, acredita o rabino Bonder.
Para saber mais:
- “Como Administrar Melhor seu Dinheiro”, de Mauro Halfeld (ed. Fundamento) – Livro muito didático, ensina a organizar as finanças pessoais;
- bovespa – No site da Bolsa de Valores de São Paulo, você encontra orientação completa sobre os investimentos em ações.
Texto: Liliane Oraggio | bonsfluidos
Reportagem Fotográfica: Célia Weiss
Fotos: João Ávila
