Empreendedor produtivo

Com a crise se espalhando ao redor do mundo, muitas pessoas estão perdendo seu emprego e não estão conseguindo uma rápida colocação no mercado de trabalho. Sem uma solução em vista a curto prazo, muitos profissionais estão começando a pensar na criação de seu próprio negócio como uma saída para o desemprego.

Nos EUA, os cursos para formação de empreendedores estão crescendo em larga escala. Em Nova Iorque, as ofertas para cursos, para coaching, e exposição de franshing estão em alta. No Brasil, algumas franquias já começaram a sentir um reflexo positivo da crise, com o aumento dessa procura.

Recebi alguns e-mails sobre o assunto e um deles era de um executivo da área financeira que foi demitido em uma ação de corte de custos da empresa em que trabalhava e então decidiu abrir uma pequena gráfica de impressos rápidos, mas contava que desde que tomou a decisão, nunca esteve tão estressado na vida. Ele reclamava que trabalhava 10 horas por dia e não ganhava hora extra. Agora trabalha 12 horas, incluindo domingos e não tem tempo para nada, ganhando o equivalente a quatro horas de trabalho, não tendo para quem reclamar.

Em proporções diferentes, todo empreendedor – seja ele um “funcionário intra-empreendedor” ou uma pessoa que decidiu abrir seu próprio negócio – passa por dificuldades em gerenciar seu tempo pessoal e o dedicado para a empresa. A frase que mais se ouve é algo do tipo: “No começo, precisa ter dedicação total para depois colher os frutos”.

A frase é comum, mas não precisa ser uma verdade na vida empreendedora. É possível equilibrar empresa, vida, família, lazer e dinheiro! Em primeiro lugar, é preciso achar algo que o empreendedor realmente sinta prazer em fazer, caso contrário, qualquer esforço será mais um martírio. E não é muito fácil associar prazer com oportunidade. Muitas vezes pode ser algo que você ame fazer, mas o resultado financeiro não vem. Nesse caso você tem um hobby e não uma empresa.

Depois de achar a oportunidade certa, que se encaixe no seu jeito de ser, é o momento de desenvolver seu plano de negócios e, quando as coisas começarem a caminhar, é o momento que muita gente nem sabe que precisa existir: É preciso planejar a produtividade da empresa.

Isso significa pensar com uma cabeça de que você é um empreendedor e não um funcionário de si mesmo. A empresa vai começar com você em quase todas as funções, mas ela não pode terminar desse jeito. É preciso haver um planejamento de como cada atividade será feita e que tipo de sistema suportará a sua operação. Analise o tempo dessa atividade, questione-se sobre o que pode ser melhorado (mesmo antes de implantar).

O resultado é que quando você começar a ter funcionários, não terá um esforço desnecessário de tempo para treinar e cobrar. Bastará explicar o processo, acompanhar os primeiros passos, deixar as pessoas acharem os defeitos e ir melhorando gradativamente. Ter uma empresa produtiva significa pensar na forma que a equipe irá priorizar as atividades, como entender o que é realmente urgente e que deve ser atendido naquele momento e o que pode esperar por um tempo determinado para ser feito.

Uma empresa produtiva pensa em deixar as pessoas trabalharem e não ficarem toda hora reunidas em salas de reunião, discutindo o sexo das baratas e saindo de lá achando que são hermafroditas. Empresa produtiva é aquela que consegue viver sem o empreendedor por mais de 15 dias na qual as pessoas sabem o que deve ser feito e conseguem evoluir ao invés de simplesmente agir.

Christian Barbosa é especialista em gerenciamento do tempo e produtividade pessoal e empresarial. Autor dos livros A Tríade do Tempo – A Evolução da Produtividade Pessoal, pela Editora Campus, e Você, Dona do Seu Tempo, pela Editora Gente. Sócio da Triad e facilitador do programa de empreendedores do Sebrae/ONU – Empretec. www.triadedotempo.com.br e www.maistempo.com.br

Artigo retirado de empreendedor.com.br

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