Homens e mulheres desejos sexuais iguais ou diferentes?

8 maio, 2009 por Anita Mulher  

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O desejo sexual existe igualmente para homens e mulheres, no entanto é sabido que padrões de comportamento e valores ligados às diferentes culturas influenciam a ponto de colocar respostas diferentes das necessidades sexuais dos homens e das mulheres.

A mente do ser humano transita entre recordações, idéias, pensamentos, sensações e fantasias fazendo com que seja comum que homens e mulheres imaginem aventuras românticas, e mesmo eróticas, que tem como protagonista uma parceria que, muitas vezes, é pouco ou nada semelhante com a sua parceria de fato. Tal condição é bastante usual e ocorre sem que seja realmente considerada uma traição; muitas vezes estas fantasias vêm dar “um sabor diferente” ao cotidiano.

A “infidelidade platônica” é tão comum que, de acordo com uma pesquisa realizada pela American Association for Marriage and Family Therapy (Associação Americana de Casais e Terapia Familiar), 45% dos homens e 35% das mulheres já tiveram, ao menos uma vez, um vínculo desse tipo, com um “encantamento” que pode durar anos (com uma pessoal real sem nada de concreto, a não ser uma grande energia sexual). O ponto positivo dessas fantasias é dar um sabor a mais ao cotidiano dos casais que estão juntos há muitos aos ou que se mantiveram numa relação acomodada e previsível acabam dando atenção a outras vissitudes.

O desejo sexual está intimamente ligado a auto-estima e a energia, ou seja, tanto homens como mulheres que estão vivendo com saúde e com qualidade de vida tem preservado seu desejo sexual, mas não podemos esquecer que alguns aspectos relacionados a valores culturais acabam influenciando na maneira como é expresso este desejo sexual.

Padrão de comportamento aceito

O padrão de comportamento aceito por uma sociedade muitas vezes pressiona as pessoas de forma tal que as escolhas ficam a critério da aceitação social e não do real interesse e desejo das pessoas. Um exemplo clássico é o comportamento do adolescente que, habituado a viver em tribos, muitas vezes sente-se constrangido em tomar decisões diferentes daquelas que o grupo entende como referência resultando, muitas vezes, em auto violência.

Não trair a si mesmo é fundamental para uma vida sexual saudável: reconhecer o próprio desejo, conhecer o próprio corpo e respeitar seu momento dentro do ciclo vital é fundamental para encontrar prazer e realização.

Homens e mulheres devem entender que, em uma relação, as diversidades podem agregar ou dividir (em especial quando surgem competições devido a essas diversidades), ou seja, faz-se necessária maturidade emocional, transparência no diálogo e respeito das necessidades da outra pessoa.

O desejo sexual faz parte do ciclo de resposta sexual: pode ser o fator determinante para o início da relação sexual ou pode aparecer posteriormente ao início da atividade. Entender este aspecto, principalmente para as mulheres, é de fundamental importância, pois até alguns anos atrás se pensava que a mulher tinha exatamente o mesmo comportamento do homem, onde o desejo era o primeiro aspecto no ciclo de resposta sexual e que, sem esta ordem, não seria possível desencadear o ato sexual.

Hoje, graças ao estudo de Rosemary Basson do Center for Sexual Medicine, em Vancouver, especialista em sexualidade humana (2001), sabe-se que a mulher pode iniciar a atividade sexual sem o desejo e este pode ir se desenvolvendo ao longo de estímulos da parceria durante o ato sexual, através do clima de intimidade, carinho e estímulos eróticos, sendo, neste caso, o desejo posterior a excitação sexual. 

Na década de 60

Na década de 60, dois pesquisadores americanos, Masters e Johnson, montaram um laboratório onde se podia pesquisar cientificamente as modificações corporais durante o ato sexual humano. Contavam com o apoio de muitas pessoas voluntárias que se dispunham a ter atividade sexual no laboratório monitorada por aparelhos criados para detectar, por exemplo, as alterações de cor e de calor da vagina durante a auto-estimulação.
 
Estes pesquisadores chegaram a um padrão de resposta sexual para homens e mulheres, ao qual deram o nome de Ciclo da Resposta Sexual Humana. Inicialmente, esse Ciclo era composto por quatro fases diferentes: Excitação, Platô, Orgasmo e Resolução. Mais tarde, a psiquiatra Helen Singer Kaplan complementou esse Ciclo com a fase do Desejo Sexual.
 
Outro aspecto interessante de se observar é o período de resolução (refratário), que faz parte do ciclo de resposta sexual proposto por Kaplan, o qual generalizava que para homens e mulheres o “start” da relação sexual seria o desejo seguido pela excitação e orgasmo, terminando com um período de resolução (refratário). O que se sabe hoje é que as mulheres, se estimuladas novamente, podem, sim, retomar de imediato a atividade sexual.
 
O item oito da Declaração de Montreal “saúde sexual para o milênio” (XVII Congresso Mundial de Sexologia. Montreal 2005), destaca a importância de:
 
“Conseguir o reconhecimento do prazer sexual como um componente do bem-estar. A saúde sexual é mais do que apenas a ausência de doença. O prazer e a satisfação sexuais são componentes integrais do bem-estar e requerem serem reconhecidos e promovidos universalmente.”
 
Para tanto fica aqui a reflexão sobre as responsabilidades de cada um frente a diferenças e semelhanças, prazeres e violências, saúde e doença.

 

fonte: wmulher.com.br / artigo de Albangela Ceschin Machado

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