Separação dos pais: como lidar com a situação e o emocional dos filhos?

Diante da separação conjugal os pais devem estar muito atentos aos filhos, pois as brigas e discussões acentuadas podem trazer consequências negativas na formação da sua personalidade. Cabe aos pais e familiares, minimizar as perdas emocionais que a situação pode causar. Maria Irene Maluf – Especialista em Psicopedagogia e em Educação Especial, Coordenadora do Curso de Especialização em Neuroaprendizagem fala sobre o assunto, confira:

A separação e os filhos

Hoje, diferentemente de há vinte anos atrás, as separações de casais e a formação de novas famílias tornaram-se muito comuns. Apesar de que na grande maioria dos casos, exista um sentimento de tristeza, de perda e dor em torno do período em que ocorre o divórcio, as pessoas envolvidas se recuperam mais facilmente também porque existe na sociedade atual menos tabus em relação ao fato e menos resistencia para aceitar as novas uniões.

O problema entretanto de quem tem filhos, tanto do primeiro como do segundo casamento,é que as crianças são,ao menos aparentemente, as grandes vítimas da nova situação.

Conheço crianças que verbalizam o alívio que foi ver seus pais se separando, devido ao medo que sentiam dos gritos, brigas e ameaças. Nem sempre entretanto isso acontece! Há aquelas que arrastam por meses a tristeza e a saudade do tempo em que todos viviam juntos. Mas nos dois casos, a verdade é que toda a família passa por um período de luto devido a grande ruptura que uma separação causa. Cabe aos pais e familiares mais experientes, minimizar os prejuízos emocionais, que são inevitáveis, mas que podem ser bem administradas por quem é adulto e quer preservar seus filhos de sofrerem desgastes enormes e sem necessidade.

Uma providência importante é o casal tratar de explicar ás crianças, a decisão tomada, em uma linguagem amorosa, sem rancores, de uma forma serena, clara.É importante fazer isso em mais de uma ocasião, no caso de crianças mais novas ,certificando-se assim que entenderam a situação e assimilaram a separação dos pais como algo que já aconteceu e que não dependeu dela. Procurar deixar claro que além de não haverem culpados e inocentes, os filhos não perderão o amor e a atenção deles.

Mas essa conversa perderá o efeito se os acontecimentos anteriores à separação contradizerem a mensagem que se quer passar. Assim, embora difícil em alguns casos, é importante fazer o maior esforço para não discutir , gritar ou perder a educação na frente das crianças. Embora triste esse é o momento exato para ensinar o que é respeito e dignidade pessoal aos filhos!

Questões sobre divisão de bens, pensões, etc, só podem ser debatidas quando as crianças não estiverem por perto, pois geram ansiedade e parecem mesquinharia para quem não tem idade de compreender a abrangência dos fatos.

Algumas medidas para proteger as crianças nesse momento podem e devem partir dos próprios pais, dentro e fora de casa:

1- No caso de intromissão de parentes, por exemplo, que quase sempre “defendem” um lado ou o outro, mostre diante de seus filhos, serenidade na sua decisão e sem transparecer ódios ou rancores, caso existam, pois as crianças ficam muito divididas internamente, angustiadas com aquilo que ouvem.

2-Caso os vizinhos, amigos ou parentes venham perguntar, ensine seu filho a responder que esse é um assunto dos pais dele, que sendo adultos sabem o que fazem.

3-Por mais que você esteja sofrendo, lembre-se de que a criança não pode ser sua confidente, pois não tem estrutura emocional para suportar também a sua dor, além daquela que ela mesma sofre.

4-Falar mal do conjugue? nem pensar em fazer isso na frente das crianças. Aliás, na frente de ninguém, com exceção de um terapeuta, é claro. Uma separação não tem culpados, tem responsáveis. E as razões que unem um casal muitas vezes acabam causando a separação: a admiração pelo grande executivo acaba por se tornar motivo para uma grande solidão, por exemplo.A beleza e sedução de um artista desapegado da vida material, pode ser difícil de suportar no dia a dia e acabar representando motivo de ciúme, de desgaste financeiro ….Importante é tentar resgatar na memória, os motivos para a admiração e aproximação passadas e procurar ver nessa pessoa, um dia tão amada, um amigo ou amiga e não apenas o conjugue egoísta , sonhador, aproveitador, etc. Melhor para os filhos e para seus pais e familiares procurarem ver as qualidades uns dos outros, antes de apontarem seus defeitos e fazerem deles um escudo.

Um outro momento, depois que a vida retomou a rotina, é a constituição de um novo relacionamento. Acredito que apresentar o novo namorado/namorada aos filhos, deva ser um passo muito bem refletido, a ser dado depois de certo tempo de convivência e conhecimento do outro. Há pessoas que embora adultas, por exemplo, não conseguem suportar a rejeição inicial que esse tipo de aproximação provoca. As crianças pequenas ficam confusas com medo de perder a mãe ou o pai para terceiros e além disso, se ainda tem esperanças de ver os pais juntos(o que é freqüente),ficam muito enciumadas. Isso só vai adiar a aceitação do novo conjugue e não trará qualquer ganho para a criança.E sobre esse assunto , seguem dois lembretes: sendo apenas namorado(a), ele ou ela não podem pode interferir na educação do pequeno mais do que qualquer amigo ou amiga dos pais!Assim também não existe novo pai ou mãe, a não ser que a criança seja pequena e surja uma afinidade muito grande entre eles. O que existe é a realidade: o marido da mãe ou a esposa do pai, que devem ser respeitados como todos os adultos devem ser pelas crianças.

A guarda compartilhada se bem organizada e aceita é uma boa saída, mas tudo vai depender do equilíbrio emocional dos pais e do amor aos seus filhos (e não à si próprios), que os adultos demonstrarem após a separação.Ter convívio com os dois biológicos, assim como com o resto da família de ambos, deve ser algo liberado para a criançada.Afinal, foram os pais que se separaram!

Mas o tempo, não resguarda ninguém das novidades: em muitos casos, o filho fica com a mãe após a separação, e quando cresce, quer morar com o pai. Isso pode ser doloroso mas é preciso serenidade e bom senso para compreender e aceitar a mudança que deve ser encarada desde cedo como uma possibilidade real de escolha do filho e não como um abandono. Se o casal mantiver boas relações sociais entre si, essa situação não será tão dolorosa para ninguém! A criança normalmente quer sentir como é vivenciar novas situações e essa é uma delas! A vida emocional da criança e do adolescente cujos pais encaram civilizadamente a separação é muito mais tranqüila, seu desenvolvimento ocorre da maneira harmoniosa e a escolaridade não passa a ser algo custoso ou mesmo motivo de chantagem para obter a atenção dos pais.

Por Maria Irene Maluf – Especialista em Psicopedagogia e em Educação Especial, Coordenadora do Curso de Especialização em Neuroaprendizagem

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